Para escrever o post de hoje,
contei com a ajuda do papai, uma vez que não conheci a sua vovó Anália e muito
pouco o seu vovô Luiz. Ele mal me conheceu, já que só me chamava pelo nome da
antiga namorada do seu pai kkkk.
Ele
me contou que ambos são de Ourinhos, uma cidade no interior de São Paulo, onde
se conheceram muito jovens. Trabalhavam na roça, uma vida muito sofrida. Por
isso seu avô, assim que se casou com a sua avó (uma criança ainda, com apenas
14 anos), decidiu se mudar para a capital em busca de uma vida melhor. Chegaram
totalmente desprovidos de qualquer recurso e inicialmente se instalaram em uma
pensão. Seu avô logo conseguiu emprego em uma metalúrgica e a sua avó
trabalhava como cozinheira.Foram anos muito difíceis, onde por algumas vezes eles mesmos construíram sua casa com as próprias mãos.
Levaram 12 anos para seu tio Edson nascer, sua avó precisou até fazer um tratamento para engravidar, os demais – tia Roseli, tia Rosana e seu papai vieram sem que isso fosse necessário.
Seu avô era uma pessoa extremamente esforçada, apesar de quase não ter estudo, sempre foi uma pessoa muito inteligente, fazia cálculos como ninguém. Trabalhava duro, não se cansava. Não gostava de ficar parado, já foi até o Pará com um carro carregado de roupas, passando seis meses fora. Numa dessas idas e vindas foram parar em Fortaleza para trabalhar em uma fábrica de fogões. E foi aí que seu papai, o caçulinha, nasceu – sim, seu papai é Cearense, apesar de ter vivido a vida toda em São Paulo. O vovô Luiz tinha seus defeitos, era uma pessoa difícil e não tão próxima dos filhos, mas quando os primeiros netos vieram o seu coraçãozinho amoleceu. Seus manos tiveram a oportunidade de conviver com ele e sempre disseram que ele era um grande contador de histórias. A mais engraçada de todas com certeza é a do seu Tato Gabriel rolando ladeira abaixo depois de cair do famoso Fusquinha do vô Luiz.
Sua avó, segundo seu pai, viveu pela família. Nos altos e baixos da vida, la era daquelas que superava qualquer dor (física ou emocional) para que os filhos tivessem o melhor possível. Era carinhosa, caprichosa e esforçada. Como seu avô passava muito tempo fora, ela tinha quer ser criativa para que nunca faltasse nada em casa. Cozinhava muito bem, foi com ela que seu pai aprendeu com ela a cozinhar. Teve inúmeros problemas de saúde, sendo que um deles quase a impossibilitavam de se locomover, mas ela literalmente se arrastava pela casa em nome da sua amada família. Sem estudo algum, ela fez questão que todos os filhos estudassem para que tivessem uma vida melhor do que a dela. Certamente está muito orgulhosa dos seus amores e sabendo que valeu a pena tanta entrega. Como ela sempre aguentou tudo calada, em nome dos filhos, ela sempre os criou para que fossem honestos e responsáveis, mas acima de tudo, independentes, já que o que importa é que nós sejamos felizes primeiro, e depois os outros. Por isso todos os filhos que criou fazem questão de passar adiante não somente o amor que receberam, mas também a lição de que o amor próprio e a individualidade são importantes para que uma família seja feliz, onde ninguém anula ninguém.
Eu acredito que, de alguma forma, eles podem acompanhar você, mesmo que você não possa vê-los. Espero que você possa sentir um pouquinho desse amor que com certeza te dariam se hoje estivessem entre nós.
Da nossa parte, o que sempre vamos fazer é falar deles, contar essas histórias para que você sempre vá construindo no seu coração a imagem desses vovôs.

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