sexta-feira, 28 de maio de 2021

A SAGA DO PÉ - PARTE 2

    Chegamos no horário marcado para a consulta com a cirurgiã, mas, uma triste característica dos médicos daqui é que o chá de cadeira é inevitável. A espera nesse passou de uma hora, a médica estava em cirurgia e acabou atrasando. Depois de muita espera, você finalmente foi atendida. A médica tirou todas as dúvidas, explicou como seria o procedimento e , o que eu já esperava, teria quer ser feito no centro cirúrgico, uma vez que você precisaria ser sedada. Já deixou tudo agendado, guias emitidas e autorizadas. 
    Aí começava a parte do pré operatório - exame de sangue e consulta com o anestesiologista.
    No sábado seguinte já tratamos de te levar para fazer a coleta de sangue e, te conhecendo, já sabia que o escândalo estava armado. Costumo dizer que a Dona Cely com certeza está rindo da minha cara ao me ver desorientada com seu escândalo - você é uma versão 2.0 da Lelinha. Desde que paramos no estacionamento você já começou com o "to com medo" , falou umas 857 vezes, e eu sempre tentando te acalmar. Ficou com o papai lá fora porque a recepção estava bem cheia. Na hora que você foi chamada, você começou a choramingar e o choro foi aumentando a medida que ia chegando a sala de coleta. Quando sentamos para fazer a coleta, o laboratório inteiro já podia ouvir os seus gritos. Precisamos de três pessoas para conseguir te imobilizar, já que convencer a fazer amigavelmente não seria possível: eu te segurando no colo, "travando as pernas e um braço, um enfermeiro segurando o braço da coleta e o outro coletando. Depois de muitos gritos, um enfermeiro impaciente e uma mãe suada, os segundos que pareciam horas finalmente acabaram. Você foi pra casa reclamando por um tempo mas logo passou.
    A consulta com a anestesiologista foi muito tranquila, o que rendeu apenas 125 "to com medo", ela foi muito querida com você, te falou sobre as princesas, te examinou em troca de balas e no geral tudo correu muito bem. Agora era só esperar o dia seguinte.
    A minha preocupação começou, o medo da anestesia, de você passar mal, um monte de besteiras na minha cabeça. Resultado: não fechei os olhos a noite inteira. Fiquei na sala a noite toda, você chegou a acordar por volta das 3h e ficou lá comigo, logo voltou a dormir. Eu fiquei igual a um zumbi, meio desorientada, algo não recomendado para quem iria acompanhar uma cirurgia, mesmo que pequena, no dia seguinte, mas como se controla isso?
    O procedimento estava agendado para as 7h, e , deveríamos chegar no hospital as 6h. Por isso já te coloquei na cama com a roupa do dia seguinte para evitar te acordar, mas foi em vão. Você mal acordou e já iniciou a rajada de 2.568 "to com medo" de um dia inteiro. A médica falou que você poderia levar um brinquedo favorito pra te acompanhar e você escolheu a imagem de Nossa Senhora de Aparecida, achei muito fofa essa parte ❤. O papai foi junto pra dar todo o apoio moral, tentando te tranquilizar o caminho todo, explicando que você não sentiria nada, que seria exatamente como a médica do dia anterior havia explicado: uma fumacinha que faria você dormir e quando acordasse tudo já teria passado. Não adiantou nada, o drama só aumentava junto com o medo. Decidimos não falar mais nada, você parecia ter ficado surda de medo. 
    Apresentei toda a documentação e, admito, até a minha barriga chegou a dar uma desarranjada kkk Esperamos mais um pouco e logo nos chamaram para entrarmos na sala de espera do Centro Cirúrgico. Cada pessoa nova que aparecia para falar conosco, você dizia "to com medo" e a pessoa do do outro lado falava "não precisa ter medo, você só vai dormir" e, mais uma vez, de nada adiantava. Primeiro nos disseram que teríamos que esperar um outro procedimento, mesmo antes tendo nos dito antes que seríamos os primeiros, e retornamos à sala de espera. Encostei numa cadeira ao seu lado e do seu pai e simplesmente apaguei, acho até que ronquei kkk. Mas não durou nem 5 minutos e nos chamaram. Decidiram fazer o seu procedimento primeiro porque é mais rápido, ainda bem. Ao som de "to com medo" seguimos para a sala pra trocar de roupas, e aquilo te apavorou mais ainda, mesmo eu falando que estávamos parecendo com personagens de Amongus. Mas a essa altura do campeonato eu já estava tremendo também, com aquele monte de gente vestida com aqueles aventais, tocas e meias por cima dos sapatos. 
    Com a sua santinha na mão, apreensivas, seguimos para o centro cirúrgico.
    Mas ainda tem muita história, continua no próximo post...

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