Meu
caminho e do seu pai se cruzaram da maneira menos provável de dar certo: Chat
na internet. Ele gostava de entrar na madrugada nos momentos de ócio no
trabalho, era auditor de um hotel. Eu entrava quando chegava em casa do
trabalho. Costumávamos frequentar a mesma sala, era divertido poder fazer
amigos no país todo. Tínhamos amigos em comum, daqueles que ficavam o dia todo.
Um dia eu dei uma esticada e fiquei até de madrugada e finalmente pudemos nos
conhecer melhor. A sintonia foi imediata, logo já estava “puxando a capivara”
dele com as amigas. Ele diz que não, mas tenho certeza que fez o mesmo. Ele
estava em Salvador/BA e eu em São José dos Campos/SP. Nos falamos por pouco
tempo, mas a vontade de se conhecer só aumentava. Ainda bem que ele estava com
a mudança pronta pra voltar pra São Paulo, sua terra natal para ficar com o pai
que estava doente.
No dia seguinte que chegou de
viagem já marcamos de nos conhecer, e nesse dia a química bateu e ficou.
Engatamos no namoro, inicialmente, a 100 km de distância, sempre nos vendo. No
começo foi bem tumultuado, por diversas vezes achei que não ia durar. Mas
durou... Desde 18 de novembro de 2004 vem durando.
Meu contato com o seu avô
paterno, o Sr. Luiz, foi muito rápido, ele foi adoecendo rapidamente, ficava entre
uma internação e outra e pouco nos falávamos. Ele confundia meu nome com a ex-noiva
do seu pai e eu achava engraçado. Mas já ouvi tantas histórias dele que parece
que convivi com ele por anos e anos. Sei que era um São Paulino fanático e que
não perdia um jogo sequer. Sei que era coruja com os netos e que com certeza ia
gostar de você, tinha um gênio forte igual o seu.
E logo ele foi morar com Papai do
Céu, para, junto da vovó Anália olhar por você. Sua avó eu não conheci, ela já
havia partido muito tempo antes de conhecer o seu pai. Mas sempre que conta
histórias dela, seu pai se emociona. Que era uma pessoa incrível, amorosa,
cuidadosa, boa cozinheira e que gostava de Rock´n Roll Lullaby, uma música que
sempre canto para você se conectar com ela. Queria muito ter tido a
oportunidade de bater um papo com ela, mas com certeza ela se orgulha da
netinha esperta que ela tem.
Assim que o seu avô se foi, seu
pai veio pra São José dos Campos, morar na edícula no fundo da minha casa. Logo
conseguiu emprego em um hotel na mesma cidade e eu já trabalhava em uma empresa
numa cidade vizinha. Fomos levando essa rotina por uns dois anos, a nossa
conexão era muito forte e adorávamos varar a madrugada jogando buraco com meus
pais. Nesse tempo, noivamos e nos casamos e eu me mudei pra casa do fundo,
gostava de cuidar do nosso pequeno cantinho, das nossas plantinhas e do seu
papai. Cheguei até a mudar para um emprego melhor, estava tudo indo muito bem.
Mas, mal sabíamos que nosso
destino estava bem longe dali.
Continua...
Nenhum comentário:
Postar um comentário