A
escolha do seu nome foi muito fácil, até mais do que se fosse menino. Helena
era um nome que já estava planejado muito antes de conhecer o seu pai, não sei
direito o motivo, esse nome me passava a sensação de força. E a decisão foi
tomada quando uma vez, indo ver o seu pai no início de namoro, fiquei encantada
com uma menininha sentada no banco da frente do ônibus que conversou comigo a
viagem inteira, muito linda e esperta. Chegando no meu local de parada,
perguntei o seu nome – Helena – parecia um sinal que era para ser esse mesmo o
nome de uma filha que nem planejada era.
O
primeiro nome, Maria, foi pensado depois que a sua avó Cely faleceu, já que
esse também era o primeiro nome dela. Sua avó foi uma pessoa indescritível, um
amor incondicional, não tinha como não a homenagear.
O
significado acabou ficando algo como “Senhora Soberana Resplandecente”, e não
poderíamos ter escolhido um nome mais apropriado.
A
gestação foi bem tranquila, nos primeiros meses o sono incontrolável não me
deixava, eu parecia querer dormir até quando acabava de acordar, mas logo essa
sensação foi passando. Eu costumava almoçar bem rapidinho para aproveitar mais
tempo dormindo.
Definitivamente,
sentir você se movimentar pela primeira vez foi uma das melhores experiências:
começava com um formigamento na base da barriga, para, nos últimos meses,
parecer uma bola de basquete girando lentamente, ou nem tanto, dentro de mim.
Eu dava toquinhos de leve e você respondia com chutinhos – ou soquinhos,
difícil saber. Mas, desde dentro da barriga eu saberia que você ia dobrar seu
pai no meio com muita facilidade, era só ele chegar e chamar o seu nome que
você se contorcia todo na direção dele, como se pedisse colo. E assim começava
o complô contra a mamãe...
Seu
desenvolvimento no decorrer dos meses foi muito tranquilo, todos exames
indicavam um crescimento normal e esperado. Eu sempre fazia dos exames com a
mesma médica, Dra. Fabiana, uma pessoa muito simpática e que gostava de
explicar tudo com muita paciência e detalhes.
Porém,
no 8 mês de gestação, precisei fazer um exame e essa médica não estava
disponível, acabei agendando com um médico bastante conhecido na cidade. Mas,
me arrependi assim que entrei no consultório: frio, antipático e nem um pouco
disposto a esclarecer nossas dúvidas. Apenas mencionou que você não estava
recebendo sangue o suficiente e eu corria o risco de pré-eclâmpsia. As poucas
perguntas que fiz foram respondidas com um seco: “veja com a sua obstetra”.
Saímos de lá com as pernas bambas, na hora liguei para minha médica. A Dra.
Fabíola é um doce, um humor incrível e uma delicadeza impressionante. Me
tranquilizou, que não era bem assim, que tinha que comparar com o exame do
próximo mês para ter um parâmetro. Mas não fiquei tão calma assim. Aproveitei
que estava com as férias vencidas e, ao invés de deixar para o final da
licença, achei que tirar aquele momento para me acalmar e me conectar ainda
mais com você ia ser melhor. E realmente foi. O seu exame seguinte mostrava que
você, além de estar se desenvolvendo normalmente, tinha cabelo para dar e
vender.
O
ultimo mês é quando a paciência se esgota: as posições para dormir são
ineficazes, e você mexendo na minha barriga de madrugada só me faziam querer
que você saísse logo, não aguentava mais esperar para ver a sua carinha!
Como
eu já estava com a Cesariana agendada para 14 de abril, eu só fui uma vez ao
hospital achando que você estava chegando antes, mas, foi alarme falso: Você ia
ser Ariana e não havia nada que pudéssemos fazer a respeito senão pedir
paciência.
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