sexta-feira, 10 de julho de 2020

GESTAÇÃO - PARTE 2


A escolha do seu nome foi muito fácil, até mais do que se fosse menino. Helena era um nome que já estava planejado muito antes de conhecer o seu pai, não sei direito o motivo, esse nome me passava a sensação de força. E a decisão foi tomada quando uma vez, indo ver o seu pai no início de namoro, fiquei encantada com uma menininha sentada no banco da frente do ônibus que conversou comigo a viagem inteira, muito linda e esperta. Chegando no meu local de parada, perguntei o seu nome – Helena – parecia um sinal que era para ser esse mesmo o nome de uma filha que nem planejada era.
O primeiro nome, Maria, foi pensado depois que a sua avó Cely faleceu, já que esse também era o primeiro nome dela. Sua avó foi uma pessoa indescritível, um amor incondicional, não tinha como não a homenagear.
O significado acabou ficando algo como “Senhora Soberana Resplandecente”, e não poderíamos ter escolhido um nome mais apropriado.
A gestação foi bem tranquila, nos primeiros meses o sono incontrolável não me deixava, eu parecia querer dormir até quando acabava de acordar, mas logo essa sensação foi passando. Eu costumava almoçar bem rapidinho para aproveitar mais tempo dormindo.
Definitivamente, sentir você se movimentar pela primeira vez foi uma das melhores experiências: começava com um formigamento na base da barriga, para, nos últimos meses, parecer uma bola de basquete girando lentamente, ou nem tanto, dentro de mim. Eu dava toquinhos de leve e você respondia com chutinhos – ou soquinhos, difícil saber. Mas, desde dentro da barriga eu saberia que você ia dobrar seu pai no meio com muita facilidade, era só ele chegar e chamar o seu nome que você se contorcia todo na direção dele, como se pedisse colo. E assim começava o complô contra a mamãe...
Seu desenvolvimento no decorrer dos meses foi muito tranquilo, todos exames indicavam um crescimento normal e esperado. Eu sempre fazia dos exames com a mesma médica, Dra. Fabiana, uma pessoa muito simpática e que gostava de explicar tudo com muita paciência e detalhes.
Porém, no 8 mês de gestação, precisei fazer um exame e essa médica não estava disponível, acabei agendando com um médico bastante conhecido na cidade. Mas, me arrependi assim que entrei no consultório: frio, antipático e nem um pouco disposto a esclarecer nossas dúvidas. Apenas mencionou que você não estava recebendo sangue o suficiente e eu corria o risco de pré-eclâmpsia. As poucas perguntas que fiz foram respondidas com um seco: “veja com a sua obstetra”. Saímos de lá com as pernas bambas, na hora liguei para minha médica. A Dra. Fabíola é um doce, um humor incrível e uma delicadeza impressionante. Me tranquilizou, que não era bem assim, que tinha que comparar com o exame do próximo mês para ter um parâmetro. Mas não fiquei tão calma assim. Aproveitei que estava com as férias vencidas e, ao invés de deixar para o final da licença, achei que tirar aquele momento para me acalmar e me conectar ainda mais com você ia ser melhor. E realmente foi. O seu exame seguinte mostrava que você, além de estar se desenvolvendo normalmente, tinha cabelo para dar e vender.
O ultimo mês é quando a paciência se esgota: as posições para dormir são ineficazes, e você mexendo na minha barriga de madrugada só me faziam querer que você saísse logo, não aguentava mais esperar para ver a sua carinha!
Como eu já estava com a Cesariana agendada para 14 de abril, eu só fui uma vez ao hospital achando que você estava chegando antes, mas, foi alarme falso: Você ia ser Ariana e não havia nada que pudéssemos fazer a respeito senão pedir paciência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O GRANDE PROJETO

Olá meu amor, tudo bem?      Esses dias não sei porque comecei a filosofar sobre como somos resultados de um projeto. E já tem um tempo que ...