sexta-feira, 28 de agosto de 2020

ANO 2

Esse foi um ano com diversas mudanças, algumas boas e outras nem tanto, mas sempre rendem histórias e lembranças.
         Você deixou de mamar com 1 ano e 9 meses, na verdade eu não aguentava mais. Suas noites de sono eram muito conturbadas, você queria mamar a noite toda. Eu já estava enlouquecendo por não saber mais o que era uma noite de sono decente. Me recordo que o seu vovô Zé estava aqui em casa passando uns dias e foi quando me deu a louca: passei um líquido vermelho – nem lembro o que - no seio e coloquei um curativo. Falei pra você que estava dodói e fazia um teatrinho quando você tocava nele. Foi coisa de um dia somente, acho que também já era a sua hora. Não houveram choros descontrolados, não houve tristeza da minha parte. Só alegria em termos conseguido tanto tempo juntas nessa troca que jamais esquecerei. E acabou de um jeito leve, como eu sempre imaginei. E eu finalmente passei a dormir melhor, isso me fez um bem enorme também!
    O primeiro ano com a Tia Erica foi bem tranquilo, apesar o desafio de te fazer comer. Ela sempre se esforçou muito e nossa comunicação era constante: uma troca de ideias mirabolantes e teorias que na prática não deram muito certo, até entendermos que se trata da sua individualidade, do seu jeito. A sua saúde nunca foi prejudicada por isso, seus exames sempre bons. Sempre foi complicado comer “comida”, mas ainda bem que você sempre aceitou bem frutas. Suas infecções de garganta eram cada vez mais frequentes, por tantas vezes eu cogitei de te operar, mas o seu pediatra sabiamente dizia: “calma que vai passar”. Tomou diversos medicamentos para ajudar a aumentar a sua imunidade, às vezes funcionava, às vezes não. O problema é que a sua amígdala é grande e ondulada, o que facilita para ter essas infecções.
    Infelizmente, chegou um momento em que a situação financeira deu uma apertada e por sorte conseguimos uma vaga em uma creche da Prefeitura, então tomamos a decisão de te colocar lá. Tivemos excelentes referências e foi de uma forma segura. No começo sua adaptação foi complicada, você sempre dizia que sentia falta da Tia Erica, apesar de continuar vendo-a todos os sábados. Mas, com o tempo, você foi se acostumando, até sua alimentação melhorou – talvez influenciada por outras crianças. Só que o prédio dessa unidade precisou ser entregue e vocês foram transferidos para uma unidade provisória bem improvisada que começou a dar problemas, até mesmo com a higiene. Aquilo começou a me deixar extremamente incomodada. Você estava nessa creche desde a metade de 2017 e tomamos a decisão de tirar você de lá exatamente um ano depois, quando a nossa situação já estava um pouco melhor e finalmente encontramos a escolinha que você está até hoje, e, se Deus quiser, por muito tempo.
    Nesse mesmo período nós começamos a notar em você um comportamento bastante preocupante: medo exagerado de barulho, principalmente balões. Chegamos a sair de festas – algumas nem conseguimos entrar – por conta do seu desespero. Seu pediatra também achou estranho e recomendou uma psicóloga, que, foi a melhor coisa que fizemos. Ela é uma pessoa muito querida e competente. Você passou por consultas com ela durante pouco mais de um ano, mas rapidamente seu medo foi diminuindo.
Nas férias desse ano nós fomos novamente para SP de carro, é uma forma que aproveitamos mais, passeamos mais e conseguimos ver mais pessoas da família. E foi nessa oportunidade que você finalmente pode conhecer o mar. Fomos com a sua tia Rosana para Praia Grande e com certeza esse foi mais um dos momentos que sempre estarão gravados na minha memória.
    Nessa fase você era alucinada pelo Show da Luna: músicas, brinquedos, tudo tinha que ser desses personagens tão queridos que, admito, até eu curtia assistir. Foi quando cortamos o seu cabelo bem curtinho e você ficou ainda mais parecida com um Playmobil, como sua Dinda gosta de te chamar. Sempre gostamos de te dar livros, e foi por aí que você começou a ler do seu jeito, inventando histórias, uma mais engraçada que a outra. E o tanto que tagarelava? Deixava a gente até tonto com tanto assunto, com tanta descoberta, mas era lindo demais ver o quanto você estava crescendo e se tornando a pessoinha que é hoje.

                         *Playmobil mais lindo da mamãe

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