Nesse ano em que as coisas começaram a se estabilizar efetivamente, foi que finalmente começamos a sentir a calmaria e aproveitar mais do seu crescimento, a harmonia em casa retornando, o caos e o stress cada vez menos frequentes. Seus problemas com a garganta aos poucos foram ficando menos frequentes, o que contribuiu muito nesse processo.
Você se mostrando cada vez mais
interessada em aprender: ler, desenhar, colorir, recortar, significado das
coisas... Seu vocabulário muitas vezes me assustou – com quem ela aprendeu essa
palavra? E o mais curioso foi ver você colocando-as no contexto certinho. Sabemos
que temos influência nisso, sempre te incentivamos a leitura, desde antes de 1
anos já assinava a Leiturinha, que mensalmente te manda livros lindos
acompanhados de atividades lúdicas que com certeza contribuíram nesse seu
interesse. Todas as vezes que chegava com o pacotinho característico, você desde
bebezinha gritava: “Fitulinha chegou!”. Também nunca achei legal falar com a
criança feito boba, distorcendo as palavras, sempre procurando pronunciar tudo
corretamente, assim você também aprendia como deveria ser.
Assim que você saiu da creche
anterior, notamos em você um medo muito exagerado de barulhos: balões, fogos,
aspirador, buzina... qualquer som mais alto te incomodava muito e vimos que
aquilo não era normal. Houveram ocasiões que seu medo te impediu de ir a festas
pelo simples fato de serem decoradas com balões. Conversei com o pediatra e ele
concordou que era um medo exagerado para dizer que “logo passa” e recomendou um
acompanhamento psicológico. Logo marcamos a sua primeira consulta e demos uma
sorte tão grande com a profissional que te atendeu que não poderia ter sido de
forma melhor. Ela é delicada, amorosa, inteligente e soube identificar muito
rapidamente a origem dos seus medos, e de quebra ainda nos deu dicas valiosas
para “driblar” esse seu temperamento difícil... Sem contar no tanto que você
gostou dela, sempre que falava que ia ver a tia Rafa você ficava eufórica! Foi
quase um ano de tratamento e o resultado logo apareceu. Hoje você não curte mais
também não se incomoda mais.
Como seu vovô faleceu quando você
tinha 2 anos, você ainda não tinha um entendimento sobre a perda de alguém. Até
hoje ainda comenta que tem saudades, se lembra dele, mas foi no ano seguinte
que tomou um pouco mais de consciência disso quando perdemos a Ritinha, nossa
cachorrinha de 21 anos que quase não te dava bola, mas que você conviveu desde
bebezinha, então foi de certa forma uma situação triste para você: chorou
algumas vezes, perguntou sobre onde ela estaria, mas com certeza nessa ocasião
percebeu que os animais, as pessoas, não vivem para sempre e que uma hora
precisamos nos despedir. Cabe a nós estarmos do seu lado para te consolar e
esclarecer que é um ciclo inevitável.
Mas, nesse ano também tivemos
alguns novos membros na família, mesmo que tenham causado uma grande bagunça,
foi divertido: sua tia Erica te presenteou com 2 pintinhos. Com a experiência
que tivemos na infância, eu e seu pai já estávamos nos preparando para mais
duas perdas, dessa vez bem prematuras. Mas as coisas com você sempre são surpreendentes,
e os pintinhos “vingaram” e se tornaram duas galinhas bundudas, as quais você batizou
de Clara e Gema. As bichas cresceram super rápido e o caos no quintal foi
instalado, já que eu tinha dó de prendê-las. Era cocô até no teto, muita
sujeira. Sem contar com os sustos no meio da madrugada indo buscar água na
cozinha e me deparar com uma – ou duas – galinhas equilibradas na janela no
meio da escuridão. Logo percebemos que não tínhamos a estrutura adequada e elas
foram levadas para a casa da vovó da tia Erica, onde já tem um galinheiro e um
terreno amplo só para elas curtirem. Infelizmente a Clara não resistiu ao
ataque de um Teiú, quando foi proteger seus ovos, levou uma chicoteada com o
rabo dele e seu biquinho quebrou. Mas a Gema está lá, firme, forte e bunduda,
botando seus ovos gigantes.
Aqui no condomínio que moramos
você também teve a oportunidade de conhecer uma amiguinha, a Sophia, neta de
uma amiga que mora aqui em frente. Foi uma conexão tão lindinha, vocês mal se
conheceram e já se tornaram inseparáveis. A Sophia é uma menina doce, carinhosa
e inteligente, e, mesmo sendo 02 anos mais velha, se relaciona com você
igualmente, e tem uma paciência incrível com os seus rompantes. Faço muito gosto
dessa amizade, gostaria muito que durasse muito tempo! É sempre uma alegria ter
com quem contar.
E ainda no finalzinho desse ano,
começamos a notar que andava ficando muito próxima da televisão, reclamando que
não estava enxergando direito. Levamos ao oftalmologista e veio a confirmação:
miopia. Apesar da questão genética, já que eu e seu pai temos, ficamos
assustados com o grau, alto para uma criança da sua idade: 2,25. E também receosos
quanto na sua adaptação – eu até hoje sou atrapalhada com meus óculos – mas logo
percebemos que você realmente estava precisando, já que não tirava ele do
rosto, acordava pedindo e já saia do banho colocando. Sem contar que ficou um
charme de óculos!
E assim seguimos na nossa jornada, logo publicarei nos dias atuais, relatando em tempo real toda essa experiência incrível que é viver com você!


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