terça-feira, 15 de setembro de 2020

Ano 4

       Nesse ano em que as coisas começaram a se estabilizar efetivamente, foi que finalmente começamos a sentir a calmaria e aproveitar mais do seu crescimento, a harmonia em casa retornando, o caos e o stress cada vez menos frequentes. Seus problemas com a garganta aos poucos foram ficando menos frequentes, o que contribuiu muito nesse processo.

             Você se mostrando cada vez mais interessada em aprender: ler, desenhar, colorir, recortar, significado das coisas... Seu vocabulário muitas vezes me assustou – com quem ela aprendeu essa palavra? E o mais curioso foi ver você colocando-as no contexto certinho. Sabemos que temos influência nisso, sempre te incentivamos a leitura, desde antes de 1 anos já assinava a Leiturinha, que mensalmente te manda livros lindos acompanhados de atividades lúdicas que com certeza contribuíram nesse seu interesse. Todas as vezes que chegava com o pacotinho característico, você desde bebezinha gritava: “Fitulinha chegou!”. Também nunca achei legal falar com a criança feito boba, distorcendo as palavras, sempre procurando pronunciar tudo corretamente, assim você também aprendia como deveria ser.

               Assim que você saiu da creche anterior, notamos em você um medo muito exagerado de barulhos: balões, fogos, aspirador, buzina... qualquer som mais alto te incomodava muito e vimos que aquilo não era normal. Houveram ocasiões que seu medo te impediu de ir a festas pelo simples fato de serem decoradas com balões. Conversei com o pediatra e ele concordou que era um medo exagerado para dizer que “logo passa” e recomendou um acompanhamento psicológico. Logo marcamos a sua primeira consulta e demos uma sorte tão grande com a profissional que te atendeu que não poderia ter sido de forma melhor. Ela é delicada, amorosa, inteligente e soube identificar muito rapidamente a origem dos seus medos, e de quebra ainda nos deu dicas valiosas para “driblar” esse seu temperamento difícil... Sem contar no tanto que você gostou dela, sempre que falava que ia ver a tia Rafa você ficava eufórica! Foi quase um ano de tratamento e o resultado logo apareceu. Hoje você não curte mais também não se incomoda mais.

               Como seu vovô faleceu quando você tinha 2 anos, você ainda não tinha um entendimento sobre a perda de alguém. Até hoje ainda comenta que tem saudades, se lembra dele, mas foi no ano seguinte que tomou um pouco mais de consciência disso quando perdemos a Ritinha, nossa cachorrinha de 21 anos que quase não te dava bola, mas que você conviveu desde bebezinha, então foi de certa forma uma situação triste para você: chorou algumas vezes, perguntou sobre onde ela estaria, mas com certeza nessa ocasião percebeu que os animais, as pessoas, não vivem para sempre e que uma hora precisamos nos despedir. Cabe a nós estarmos do seu lado para te consolar e esclarecer que é um ciclo inevitável.

               Mas, nesse ano também tivemos alguns novos membros na família, mesmo que tenham causado uma grande bagunça, foi divertido: sua tia Erica te presenteou com 2 pintinhos. Com a experiência que tivemos na infância, eu e seu pai já estávamos nos preparando para mais duas perdas, dessa vez bem prematuras. Mas as coisas com você sempre são surpreendentes, e os pintinhos “vingaram” e se tornaram duas galinhas bundudas, as quais você batizou de Clara e Gema. As bichas cresceram super rápido e o caos no quintal foi instalado, já que eu tinha dó de prendê-las. Era cocô até no teto, muita sujeira. Sem contar com os sustos no meio da madrugada indo buscar água na cozinha e me deparar com uma – ou duas – galinhas equilibradas na janela no meio da escuridão. Logo percebemos que não tínhamos a estrutura adequada e elas foram levadas para a casa da vovó da tia Erica, onde já tem um galinheiro e um terreno amplo só para elas curtirem. Infelizmente a Clara não resistiu ao ataque de um Teiú, quando foi proteger seus ovos, levou uma chicoteada com o rabo dele e seu biquinho quebrou. Mas a Gema está lá, firme, forte e bunduda, botando seus ovos gigantes.

         Aqui no condomínio que moramos você também teve a oportunidade de conhecer uma amiguinha, a Sophia, neta de uma amiga que mora aqui em frente. Foi uma conexão tão lindinha, vocês mal se conheceram e já se tornaram inseparáveis. A Sophia é uma menina doce, carinhosa e inteligente, e, mesmo sendo 02 anos mais velha, se relaciona com você igualmente, e tem uma paciência incrível com os seus rompantes. Faço muito gosto dessa amizade, gostaria muito que durasse muito tempo! É sempre uma alegria ter com quem contar.



               E ainda no finalzinho desse ano, começamos a notar que andava ficando muito próxima da televisão, reclamando que não estava enxergando direito. Levamos ao oftalmologista e veio a confirmação: miopia. Apesar da questão genética, já que eu e seu pai temos, ficamos assustados com o grau, alto para uma criança da sua idade: 2,25. E também receosos quanto na sua adaptação – eu até hoje sou atrapalhada com meus óculos – mas logo percebemos que você realmente estava precisando, já que não tirava ele do rosto, acordava pedindo e já saia do banho colocando. Sem contar que ficou um charme de óculos!

           E assim seguimos na nossa jornada, logo publicarei nos dias atuais, relatando em tempo real toda essa experiência incrível que é viver com você!

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