sexta-feira, 3 de maio de 2024

FALANDO DE SENTIMENTOS

     Desde que passou o seu último aniversário no dia 14/04, senti que você andava meio relutante em ir para a escola: reclamando de acordar cedo, querendo que buscasse antes do horário alegando mal estar. Chegava em casa e todos os dias reclamava de brigas com os coleguinhas, que queria trocar de sala e até mesmo de escola. 

    Isso começou a me incomodar, pois você estuda nessa escola desde o maternal e sempre amou estudar lá. Sempre recebi cheia de orgulho as suas avaliações onde sempre foram destacados seu comportamento amoroso e empático, prazer em ajudar os colegas e cuidado com seus pertences.

    Até que nessa semana você desabou e abriu o seu coração, estava triste porque estava perdendo todos os seus amigos, que não tinha forças, que estava cansada e queria paz. 

    Eu, sem pensar pelo ponto de vista de uma criança, pensei comigo que aquilo estava dramático demais para ser "só" uma briguinha entre colegas. "Não é possível que seja só isso". Pedi para agendarem uma reunião com a coordenação e o diretor da escola. 

    Fui prontamente e muito educadamente recebida pelo diretor que me explicou que tinha se adiantado e conversado com você sobre o que estava acontecendo. Me relatou exatamente o que você já havia me relatado e te deu praticamente os mesmos conselhos que já havíamos dado.

    O que ocorreu foi que você, na melhor das itenções, foi tentar transformar as panelinhas em um baita calderão, tipo a ONU. Mas no seu caso não deu certo - no caso da ONU também tenho minhas dúvidas - haviam crianças que não se entendiam e começaram a te chantagear para ser seu amigo, o que te deixou confusa e frustrada por seus planos terem ido por água abaixo.

    Assunto esclarecido e conselhos dados, vi que você já estava com o semblante mais sereno e certa de que teria o apoio de todos para  enfrentar esses desafios.

    De quebra levei uma lição também por ter dito que achava aquilo pouco pelo tamanho da sua reação. Na mesma hora fui corrigida, que, para mim poderia parecer pouco, mas para você era como se a onda já estivesse cobrindo sua cabeça. Dentro do seu ponto de vista e da sua vivência, aquilo era sim muito sério e muito grave, você estava vendo amigos queridos desfazendo a amizade com você e eu não dei a importância que você estava dando. 

    Por isso a importância de se colocar no seu lugar DE VERDADE. Ver pelos olhos de uma criança e não imaginar o que EU, uma pessoa adulta, faria em uma situação dessas.

    No final das contas, saímos todos com uma lição aprendida, e espero que com o problema resolvido.

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